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Guia técnico

Intervalo de calibração de manômetros: como definir e quando encurtar

Atualizado em

A NR-13 não fixa a periodicidade da calibração de manômetros. O prazo de cada um sai da importância da medição e do desvio que ele mostra de uma calibração para a outra.

A NR-13 define de quanto em quanto tempo calibrar o manômetro?

Não define: a NR-13 pede os instrumentos inspecionados e testados ou, quando for o caso, calibrados, e cada empresa fixa o intervalo dos seus manômetros.

Não define. A NR-13 pede os instrumentos de controle e segurança em condições de uso, inspecionados e testados ou, quando for o caso, calibrados, mas não diz de quanto em quanto tempo. Cada empresa fixa o intervalo dos seus instrumentos, e a calibração de manômetro segue esse prazo. O critério registrado por escrito sustenta a escolha numa fiscalização ou auditoria.

A norma exige indicador de pressão em três equipamentos:
Caldeira um instrumento que mostre a pressão do vapor acumulado
Vaso de pressão um instrumento que mostre a pressão de operação, instalado no vaso ou no sistema que o contém
Tubulação indicador de pressão previsto no projeto ou nos diagramas de engenharia

O que define o intervalo de calibração de um manômetro

O prazo sai da importância da medição, do histórico de desvio, da estabilidade informada pelo fabricante e da condição de serviço. Se um contrato ou o sistema de gestão fixar prazo próprio, vale o mais curto.

Quando um contrato de cliente ou o sistema de gestão da planta fixa prazo próprio, vale o mais curto entre esse prazo e o que sai dos fatores técnicos.

Exemplo: dois manômetros do mesmo modelo podem ter prazos diferentes. O da descarga de uma bomba de pistão sofre pulsação o tempo todo. O de uma linha de água de resfriamento, com pressão estável, tende a derivar menos.

O prazo técnico de cada manômetro sai do cruzamento destes fatores:
Importância da medição o manômetro que orienta o operador perto da pressão de ajuste da válvula de segurança pesa mais que o de uma linha de utilidade. Se ele lê abaixo do real, o vaso trabalha mais perto do limite do que o mostrador indica.
Desvio histórico o desvio como encontrado nas calibrações anteriores mostra quanto aquele manômetro deriva.
Estabilidade informada pelo fabricante útil enquanto não há histórico.
Condição de serviço pulsação de bomba ou de compressor, vibração, temperatura alta, fluido agressivo e picos de pressão.

Como definir o primeiro intervalo de um manômetro sem histórico

Sem histórico, o primeiro prazo é uma estimativa feita a partir da importância da medição e da estabilidade informada pelo fabricante, mais curta em condição severa ou perto de um limite de segurança.

Sem calibrações anteriores, o primeiro prazo é uma estimativa. Ele parte da importância da medição e da estabilidade que o fabricante informa, e fica mais curto quando a leitura orienta a operação perto de um limite de segurança ou quando o manômetro trabalha em condição severa.

A partir da segunda calibração, a planta decide pelo desvio como encontrado. É o valor lido antes de qualquer ajuste, e ele mostra se o manômetro chegou ao fim do período dentro da tolerância. Sem esse registro, a planta não tem base para mexer no prazo.

A tolerância de cada manômetro é escolha da planta, com base no erro que o processo tolera naquele ponto. Se ela for mais estreita que a classe de exatidão do manômetro, ele tende a reprovar em quase toda calibração.

Como ler o relatório de calibração para decidir o próximo prazo

Some o desvio como encontrado à incerteza e compare o total com a tolerância. Se ele ficar perto do limite em calibrações seguidas, o intervalo encurta.

O relatório de calibração traz três valores que pesam na decisão. O desvio como encontrado mostra como o manômetro trabalhou no período. O desvio como deixado mostra como ele voltou para a linha; sem ajuste, os dois coincidem. A incerteza informa a margem do próprio resultado da calibração.

Uma leitura conservadora soma o desvio à incerteza e compara o total com a tolerância. No manômetro de mostrador, a classe de exatidão expressa o erro admissível em porcentagem da faixa, e a classe 1,0 admite 1 % do fundo de escala.

Exemplo: num manômetro de 0 a 25 bar, classe 1,0, em que a planta adota a própria classe como tolerância, o erro admissível é 0,25 bar. Ele chega com desvio de 0,18 bar, e a calibração tem incerteza de 0,05 bar. A soma dá 0,23 bar: o manômetro fica aprovado, mas perto do limite. Se a calibração seguinte repetir o quadro, o intervalo encurta.

Os três valores do relatório que pesam na decisão:
Desvio como encontrado como o manômetro trabalhou no período
Desvio como deixado como o manômetro voltou para a linha; sem ajuste, é igual ao encontrado
Incerteza a margem do próprio resultado da calibração

Quando encurtar o intervalo de calibração do manômetro

O intervalo encurta quando o relatório ou a operação mostram que o manômetro perde exatidão antes do prazo.

Depois de sobrepressão, queda, choque térmico, reparo ou mudança de faixa ou de fluido, o manômetro é calibrado antes da data. Se o tubo Bourdon deformou, o manômetro é substituído.

Um resultado bom isolado não justifica prazo maior. Para alongar, a planta precisa de uma sequência de relatórios com desvio folgado, nenhum ajuste e o mesmo serviço. O aumento vem em passos pequenos, e o motivo fica anotado junto dos relatórios.

Estes sinais justificam encurtar o intervalo:

  • Desvio como encontrado fora da tolerância
  • Desvio perto do limite em calibrações seguidas
  • Ajuste necessário em quase toda calibração
  • Leitura que não bate com outro indicador no mesmo ponto
  • Ponteiro que não volta ao zero com a linha despressurizada
  • Mudança de serviço, como um manômetro que passou a orientar um intertravamento ou foi para um ponto com pulsação

A calibração do manômetro tem validade?

A NR-13 não dá validade ao relatório: a próxima data sai do intervalo que a planta definiu para o manômetro, e a etiqueta leva essa data para o campo.

A NR-13 não dá validade ao relatório de calibração. O relatório registra o resultado na data em que o manômetro foi calibrado, e a próxima data sai do intervalo que a planta definiu para aquele instrumento. A etiqueta no manômetro leva essa data para o campo.

Na parada da inspeção, com o vaso fora de operação, a planta calibra o manômetro e testa a válvula de segurança na mesma janela. O guia de periodicidade de calibração de válvula de segurança mostra o prazo da válvula.

Calibração de manômetros na bancada ou na planta

Calibramos manômetros na bancada própria ou na sua planta, em qualquer estado. Cada manômetro recebe um relatório com o TAG da planta, o desvio como encontrado e como deixado, a incerteza de cada ponto e a identificação do padrão usado.

A etiqueta traz a data da calibração e a próxima data, pelo intervalo que a planta definir. O relatório consolidado do lote destaca os manômetros fora da tolerância, que são os primeiros candidatos a intervalo menor.

Como conferir

No nosso relatório de calibração, o desvio como encontrado e a incerteza aparecem para cada ponto, e o modelo do relatório pode ser pedido junto com a proposta.

Perguntas frequentes

Quem decide o intervalo, a planta ou a empresa de calibração?

A planta. A empresa de calibração entrega o desvio como encontrado e a incerteza, e pode anotar na etiqueta a próxima data pelo intervalo informado, mas a decisão e o registro do critério ficam com a empresa que opera o equipamento.

Dá para usar a mesma frequência de calibração para todos os manômetros da planta?

Um prazo único simplifica o controle, mas trata igual o manômetro que orienta o operador perto da pressão de ajuste e o de uma linha de utilidade. Com os relatórios, a planta separa os manômetros por importância e serviço e dá a cada grupo o próprio prazo.

O que fazer com as leituras de um manômetro reprovado?

A planta avalia o que ele mediu desde a última calibração aprovada, a partir do desvio como encontrado. Depois vem o ajuste ou a troca, e o intervalo daquele manômetro é revisto, em geral para menos.